Greeny Midio Meadows

setembro 6, 2008 · Deixe um comentário

Cultivo um certo gosto pelas  pequenas artificialidades, essas coisas estranhas que nos fazem ter certeza de viver uma vida criada e de ser feliz com ela. Gosto de tomar banho num banheiro apertado de apartamento e ouvir os carros passarem nas avenidas, enquanto escorre toda a espuma do meu cabelo. O banheiro é a prova irrefutável da paixão espontânea pela artificialidade pois confina no íntimo uma parcela de cidade.  Gosto de abrir o pão de forma de manhã e pensar que a embalagem é falsa. Estou me alimentando de fatias de papel com conservante, resto de vida do campo embalada em pvc. Gosto de ouvir o barulho das engrenagens da bicicleta. Gosto de usar a força humana como motriz. Me preencho destas pequenas casualidades da criação humana.

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setembro 4, 2008 · Deixe um comentário

Quero dormir com você numa tarde de sábado.

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agosto 31, 2008 · Deixe um comentário

Parece-me inevitável.

Caía uma fina e incessante garoa. Meus olhos percorriam toda a vastidão por trás dos fios de grama queimados com a curiosidade de um garoto. Eu salivava de emoção. Meu coração saltou-me à boca como no primeiro encontro. Eu sabia que o trajeto, por mais difícil que fosse, me faria estar mais perto da verdade que procuro. Era tudo dourado, o campo queimado brilhava apesar do céu nublado. Minha ínfima existência me trazia próximo do que eu procurava. Dimensão especular da minha pessoalidade, eu me via projetado em cada treliça ali destruída. Cada fragmento de parede consumida pelo tempo fazia entender-me por completo. Os sapatos molhados teimavam em pisar sobre a grama alta. Havia mais a se descobrir do que a materialidade… Essas coisas indizíveis, essas mãos pairando sobre as cabeças imaginárias de incontáveis amantes: coito entre o ser e o nada. Reduzir-se a nada é um caminho notoriamente inevitável no mundo das ruínas, posto que o espelho reflete o que não existe. E aí sentar-se sobre um muro e deixar a água cair sobre o rosto não é uma escolha, mas parte do único processo natural ao homem. O auto-conhecimento, este flagelo impensável de qualidade unicamente humana só é possível com o contato do ser e seu estado mais bruto. Jogar-se sobre a grama seca, alta, queimada, não foi uma escolha. O campo dourado escondia parte de mim, e eu sabia disso.

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A bicicleta maldita

agosto 29, 2008 · Deixe um comentário

Então tá, bicicleta arrumadinha e eis que eu vou pegá-la. A maldita tinha quebrado em 2005, no meu primeiro ano, quando voltava para a aula de cálculo. Beleza, roda travada, eu muito puto deixei no CB por 2 dias… Trouxe arrastando pra casa e comecei a usar a do meu irmão, que acabou quebrando tempo depois também. Férias vão, férias vem, não existe neve pra cavar e pra fazer exercício, não há bicicleta ou tênis de corrida, e eu resolvo levar minha bike pra consertar. Ok. Fui pegar ontem. Feliz da vida, desci a ladeira da ciclovia da avenida 2 como cachorro na janela do carro. Tinha esquecido de como era bom sentir o vento na cara. Anyway, se ela não quebrasse DO MESMO JEITO como há 4 anos atrás. Voltei arrastando a lazarenta por Barão toda, já que a roda resolveu não virar mais. O resultado foi um passive-agressive note na garagem de casa, já que eu tava quase tacando ela no chão ou na cara da primeira pessoa que me aparecesse. Thing is, resolvi documentar.

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Estranhos devaneios

agosto 28, 2008 · Deixe um comentário

“O kitsch é a estação intermediária entre o ser e o esquecimento”- Kundera.

Eu senti raiva, mas não da maneira habitual. Eu havia encontrado a paz da leveza há algum tempo,devo ressaltar, e você conseguiu, sem intenção, fazer oscilar a onda que eu mantinha cautelosamente reta. Sua intervenção, silenciosa, só me irritou. Não sei explicar ao certo a maneira como isso se deu, posto que não havia intenção maliciosa no seu ato, e muito menos intenção minha de me irritar- como se houvesse a possibilidade de me irritar propositadamente, um auto-irritar existe? O esquecimento me foi doloroso porque você me surgiu subitamente como um mundo traído. Inesperadamente e inadivertidamente, me peguei pensando em você como um conhecido. Tu eras meu desconhecido familiar e isso me excitava. A materialização das minhas vontades teve de ocorrer para que eu pudesse sentir, claramente, que suas fantasias só existiam enquanto fantasias. Realizar uma fantasia a condenaria automaticamente ao esquecimento e isso a classificaria como traição. A sua traição me excitava. Sua traição me era kitsch. E eu amava isso.

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Arquitortura

agosto 27, 2008 · Deixe um comentário

Pois é, mal começou o semestre e a gente já resolveu varar noite. Dessa vez pro Escritório Modelo, estamos deixando bonita a apresentação pro reitor ver o nosso projeto e quem sabe aceitar ele ou não. A idéia é construir uma nova tipologia de edifícios pro Campus pra colocar os professores, alunos e quem sabe, algumas salas de aula. Tá ficando bacana, mas ainda várias coisas obscuras, na real. Tipo pro cara subir no último andar ele tem que flutuar… foda, mas até fim do ano sai tudo bonitinho.

 

Leandro: “Lembra do pró-reitor que ia vir daqui a duas semanas aqui?”

Escritório modelo, em coro: “Siiiiim, que tem?”

Leandro: “Ele vem depois de amanhã.” 

Escritório modelo: …………..

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Grama

agosto 26, 2008 · Deixe um comentário

Descobri a grama como espaço de sociabilização contemporânea. Na verdade pré histórica, mas de pertinência contemporânea. Comida, banheiro, cama, mesa e banho, o tapetinho natural nunca cai em desuso. Espaço multifuncional e flexível, só requer manutenção. Chamei a turma toda pra deitar na grama sábado e domingo, esticamos umas toalhinhas e ficamos lá conversando. Um dos melhores programas so far! Tá bom prum post inaugural, não? Tá na hora de ir pra aula. Bái.

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