Cultivo um certo gosto pelas pequenas artificialidades, essas coisas estranhas que nos fazem ter certeza de viver uma vida criada e de ser feliz com ela. Gosto de tomar banho num banheiro apertado de apartamento e ouvir os carros passarem nas avenidas, enquanto escorre toda a espuma do meu cabelo. O banheiro é a prova irrefutável da paixão espontânea pela artificialidade pois confina no íntimo uma parcela de cidade. Gosto de abrir o pão de forma de manhã e pensar que a embalagem é falsa. Estou me alimentando de fatias de papel com conservante, resto de vida do campo embalada em pvc. Gosto de ouvir o barulho das engrenagens da bicicleta. Gosto de usar a força humana como motriz. Me preencho destas pequenas casualidades da criação humana.
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