“O kitsch é a estação intermediária entre o ser e o esquecimento”- Kundera.
Eu senti raiva, mas não da maneira habitual. Eu havia encontrado a paz da leveza há algum tempo,devo ressaltar, e você conseguiu, sem intenção, fazer oscilar a onda que eu mantinha cautelosamente reta. Sua intervenção, silenciosa, só me irritou. Não sei explicar ao certo a maneira como isso se deu, posto que não havia intenção maliciosa no seu ato, e muito menos intenção minha de me irritar- como se houvesse a possibilidade de me irritar propositadamente, um auto-irritar existe? O esquecimento me foi doloroso porque você me surgiu subitamente como um mundo traído. Inesperadamente e inadivertidamente, me peguei pensando em você como um conhecido. Tu eras meu desconhecido familiar e isso me excitava. A materialização das minhas vontades teve de ocorrer para que eu pudesse sentir, claramente, que suas fantasias só existiam enquanto fantasias. Realizar uma fantasia a condenaria automaticamente ao esquecimento e isso a classificaria como traição. A sua traição me excitava. Sua traição me era kitsch. E eu amava isso.
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